As contradições da acusação

Regina e Adriana

          Umas das incontáveis contradições do caso gira em torno da existência ou não de ligação entre Regina Luna e Adriana Villela. Regina Luna havia sido confundida com uma prima de Adriana, com quem ela teria passado a noite. Esse engano levou a então delegada Mabel a pedir um mandado de busca e apreensão na casa da Regina, com o objetivo de encontrar evidências que a ligasse ao crime. Ficou comprovado, porém, que Regina e Adriana nunca tiveram qualquer relação, senão comercial. Regina havia procurado Adriana para saber sobre uma sala comercial na quadra 116 Sul. Regina, que sequer possuía o contato de Adriana, foi obrigada a recorrer a um amigo em comum para consegui-lo. A apreensão dos computadores e celulares de Adriana e Regina revelou somente uma troca de e-mails a respeito do imóvel.

          Ainda assim, durante o curso da investigação, enquanto era interrogada, Adriana ouviu de um dos policiais que Regina teria “confessado tudo”. Surpresa, Adriana perguntou quem, afinal, era Regina, já que ambas mal se conheciam. Providencialmente, os termos desse depoimento, simplesmente, desapareceram nos escaninhos da Polícia Civil do DF.

Leonardo não contou sobre uma incursão não autorizada no apartamento, anteriormente ao crime

            Em um de seus depoimentos, Leonardo Campos Alves, ao descrever toda a ação na casa dos Villela, contou em detalhes a rotina do casal, falhas de segurança do prédio, inclusive sobre as vezes que esteve no apartamento, mas convenientemente omitiu a informação da vez em que esteve por lá sem ser chamado: deixou um bombeiro hidráulico entrar na casa para prestar serviços sem a autorização de Maria Villela, que, ao descobrir o fato, ficou descontente com a atitude do porteiro Leonardo. Essa informação, fornecida por Adriana Villela, em depoimento, foi ignorada e desprezada pela polícia no decorrer das investigações.

O desinteresse em torno do álibi de Leonardo

     O ex-porteiro Leonardo Campos Alves prestou diversos depoimentos à polícia ao longo das investigações. Em um deles, falou na condição de colaborador, não como suspeito. No dia 22 de setembro de 2009, quase um mês após o assassinato do casal Villela, Leonardo depôs nas investigações, fato esse que seria totalmente normal se não fosse por um detalhe: Leonardo não fora questionado sobre seu álibi, uma inconsistência gritante nas investigações. Como não questionar o álibi de alguém que conhecia a rotina dos moradores do prédio? O improvável deslize quase que infantil, coloca mais uma vez em dúvida o curso das investigações conduzidas pela Polícia Civil do DF.

Porteiros não investigados

Outra incoerência foi a ausência de investigação em relação a Marcos Santana e Gerson Belarmino, também porteiros do bloco C da 113 Sul, à época do crime. Em 30 de agosto de 2009, ouvido pela polícia, Gerson contou uma história estranha para explicar o sumiço de Francisca Nascimento, empregada dos Villela, também assassinada a facadas. À Alcione Nascimento, sobrinha de Francisca, Gerson afirmou que a empregada havia viajado para conhecer um namorado. Marcos repetiu a mesma versão, na manhã do dia seguinte, 31 de agosto, para Guiomar Barbosa, ex-diarista do casal, e para Carolina Villela, filha de Adriana, neta do casal assassinado. Para a Carolina, Marcos ainda citou a cidade de Barreiras, na Bahia, como provável destino de Francisca. Mesmo depois dessas declarações sem pé nem cabeça, Marcos e Gerson nunca mais foram incomodados pela polícia.

Roupas queimadas

Sem nenhuma explicação plausível, nem, muito menos, previsão legal para tal, as roupas que as vítimas usavam no momento do crime foram imediatamente queimadas, após os corpos chegarem no Instituto de Medicina Legal (IML) de Brasília. Segundo o órgão, a incineração foi devido a falta de espaço para guardá-las. No mínimo, um absurdo! Esse fato havia sido ocultado até 1° de fevereiro de 2010, quando Adriana Villela, filha do casal, ansiosa por esclarecimentos, questionou sobre o destino das roupas, que poderiam conter vestígios de DNA dos culpados, como saliva e sangue. A delegada Mabel informou que, por descuido, as roupas haviam sido queimadas assim que os corpos deram entrada no IML. Mais tarde, os próprios legistas da polícia lamentaram não poderem procurar os vestígios de DNA nas roupas. Adriana protestou contra o ocorrido, mas nunca recebeu qualquer  esclarecimentos dos investigadores a respeito.